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Enorme Pequenez. II

Thu Jul 10, 2008, 1:34 PM
  • Mood: Bliss
  • Listening to: Nouvelle Vague - Love will tear us apart
A ausência de fotografias é justificada, mas creio que será breve.

:aww:

A todos os visitantes costumeiros e a todos os outros, obrigado!

*

Até breve.

(e entretanto deixo-vos com um texto de Daniel Faria, que apesar de não ser novo por aqui, acho que vale a pena)

«Creio que o mais egoísta dos homens é aquele que recusa dar aos outros a sua fragilidade e as suas limitações. Quem recusa aos outros a sua pequenez, comete um dos mais infelizes gestos de prepotência. E porque aí se rejeita, aos outros não poderá dar senão o sofrimento da perda. Querendo-se sem falha, será o mais incompleto dos seres. A tua pequenez é enorme. Nada te pode vencer. Não recuses nenhum dos teus limites, só eles dizem a grandeza do que tens. Aprender quanto a beleza é frágil, e como o seu único sentido é empenhar-se na salvação dos homens e do mundo.»

Enorme pequenez

Mon Sep 10, 2007, 4:06 PM
"Não recuses nenhum dos teus limites, só eles dizem a grandeza do que tens.


Entre cada liberdade permanece o modo singular, a partilha, e a felicidade de ser-se verdadeiro. E depois de tudo, ou através de tudo, há a saudade, que é a ponte que fica - pela ternura suspensa e atravessável - entre o ter perdido e o ainda possuir.



A tua pequenez é enorme. Nada te pode vencer."

  • Mood: Yearning
  • Listening to: Só eu sei ver - Toranja

Revisão...

Mon Aug 20, 2007, 6:01 PM
Caros amigos, colegas ou visitantes de longa data...

Apaguei algumas deviations, por opção.

Agradeço todos os comentários e críticas construtivas!

:aww: *

  • Mood: Flirty

Os Mundos separados que Partilhamos

Sun Jul 8, 2007, 3:12 PM
«Eu quero voar. Quero fechar os olhos, abrir os braços e voar, subir e subir e subir, atravessar nuvens e sentir a sua humidade na ponta da língua, trespassar o azul do céu com o azul dos meus olhos, e continuar, sempre, por aí acima. Quero sentar-me na lua e sentir o cheiro das estrelas. Quero ser engolida por um buraco negro, ser perseguida por uma estrela cadente. Quero espreitar o interior dos satélites, dançar nas suas asas.
E depois, regressar. Conhecer os mares, nadá-los, aprender os seus fundos. Perseguir peixes, ser engolida por uma baleia e adormecer no seu estômago. Descobrir grutas subterrâneas, desenterrar tesouros fabulosos. Ou simplesmente: respirar dentro de água.
Quero deitar-me na erva fofa de um campo verde e fechar os olhos, ouvir o sopro do vento acariciar as árvores; ser engolida pela escuridão, respirar devagarinho, saborear a paz; e sentir que o tempo vai parando: como se o mundo esperasse por mim. Percebes isto? Sentir que o mundo espera por mim. Sentir que sou tão importante para o mundo que ele espera por mim.
E depois, agradecer-lhe: devorando-o. Sei lá: subir árvores, andar de bicicleta, roubar nêsperas e atirar os caroços a quem calhar, colher flores, aprender a linguagem secreta dos gatos, fazer pão e comê-lo com manteiga, rasgar os livros de que não gosto, tocar violino no cimo de uma montanha, fazer aviões de papel e atirá-los do alto de um farol, colher caracóis nas bermas das estradas e depois libertá-los nos pomares, brincar com bonecas, abordar pessoas desconhecidas e adivinhar-lhes os nomes, caminhar pelos passeios e sorrir a quem passa.
Quero percorrer o mundo, cada centímetro do mundo, e apropriar-me dele, fazê-lo meu. Quero devorar vida, engolir felicidade; e depois, devolvê-la, através dos olhos, a quem amo, a quem um dia odiei. Quero beber a beleza do mundo e dos homens, embriagar-me de beleza, ser beleza. Destilar beleza. E depois, morrer: saciada. Deitar-me novamente na erva fofa do mesmo campo verde e fechar os olhos, ouvir o sopro do vento acariciar as árvores; ser engolida pela escuridão, respirar devagarinho, saborear a paz; e sentir que o tempo vai parando, parou: para sempre.

Quero tão pouco, afinal. Não achas?»



Paulo Kellerman


Dado a conhecer pela querida da ~If-I-Knew.

  • Mood: Neutral

Permitam-me...

Thu Jun 7, 2007, 6:29 AM
«Ela era do tipo de poucas palavras e muitos silêncios.
Ele era do tipo de burro demais para, alguma vez, interpretar todo o tanto que ela não dizia.

Ela sentia sempre tudo o que dizia e poucas vezes dizia tudo o que sentia.
Ele sentia sempre que nunca dizia tudo e sempre que nada do que dizia seria inteligível.

Ela só queria ser bem amada e não sabia como.
Ele só queria amá-la bem e não descobria como.




...




Alguém a trouxera a ele faz hoje algum tempo, sim, porque acredito que alguém assim tão especial, dificilmente andará alguma vez só, e desde então que ele se sentia curioso, daquele jeito de curiosidade que nos faz meter os dedos na massa dos bolos e espreitar na caixa do correio.

Encontraram-se um dia de modo imperfeito, mas ele perfeitamente descobriu aquilo que já sentia.
Ela era manhã então... e o sol não perdeu tempo.
Subiu ao seu zénite, e ela enleou-o nesses jogos de sensualidades que as "elas" têm por hábito fazer aos "eles". Condenou-o e absolve-o, enquanto ele, há muito tomara para si a pena de a absorver. E a noite caiu.


...


No silêncio da penumbra, ele tomou cada grão dela seu.
Chorou e riu, cantou e encantou. Teve medo.
Sem notar, conteve em si cada gesto seu. O si dele, e o seu dela, ou talvez seja o inverso, pois só ela o fez ver o seu dele e só ele a fez ver a si.
Ele, quis usar pronomes possessivos.
Ela ficou possessa.
Daquele singelo modo, como quem não sabe se bata ou beije, se chame ou afaste.
Daquele simples modo como olhamos as portas… puxo ou empurro?
Posto isto... também ele institucionalizou que gostava dela.



Ele tinha muito para dar e pouco a pedir...


Que ela fosse a bela, e ele o monstro.
Que ela fosse a sua bela, e ele o seu monstro.
Seus.

Pronome possessivo; plural.»

O ~multih escreve bem, não escreve? Apaixonei-me por este texto.

  • Mood: Sentimental

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