O Natal tem o poder de "amolecer" por alguns dias o coração gelado e endurecido pela rotina do dia-a-dia da maioria das pessoas. Dezembro acaba por ser um mês diferente. Há uma aceitação geral em relação aos motivos de celebração e os votos de "Boas Festas" andam de boca em boca.
Independentemente das motivações religiosas, o Natal acaba por tocar a todos de alguma forma. Há uma espécie de alteração da rotina que é comum à maioria, o que tende a tornar as pessoas mais tolerantes por estes dias. Por isso mesmo, gosto do Natal, mesmo que "ele" para mim não signifique mais do que uma consoada em família e um dia passado com a casa cheia.
O que eu não gosto mesmo é da pressão dos presentes. Detesto mesmo. Não suporto andar às compras atrás de algo que não sei bem o quê. Essa pressão que se instala em procurar algo para alguém porque se sabe que esse alguém vai dar qualquer coisa estraga toda a paciência que o espírito natalício porventura me possa transmitir. E o que sinto é à escala pequena.
Admito que o consumo estimula a economia, mas também endivida ainda mais quem não pode. Acho, muito sinceramente, que gostaria mais do Natal sem esta pressão dos presentes que faz emergir tacitamente um sentimento de culpa em quem recebe e não oferece.
O Natal devia ser uma época de exaltação dos valores humanos, da fraternidade, solidariedade, tolerância, paz social e harmonia com o próximo. Os presentes deverião ser um exclusivo das crianças.
Nada na vida é exactamente como gostávamos que fosse, nem uma pessoa tem o poder de determinar o "dever-ser", mas pelo menos o meu Natal seria melhor.»
Nuno Q. Martins
Meus caros, a todos vós, um feliz natal... Que este seja recheado de tudo o que realmente importa!