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Os Mundos separados que Partilhamos

Sun Jul 8, 2007, 3:12 PM
«Eu quero voar. Quero fechar os olhos, abrir os braços e voar, subir e subir e subir, atravessar nuvens e sentir a sua humidade na ponta da língua, trespassar o azul do céu com o azul dos meus olhos, e continuar, sempre, por aí acima. Quero sentar-me na lua e sentir o cheiro das estrelas. Quero ser engolida por um buraco negro, ser perseguida por uma estrela cadente. Quero espreitar o interior dos satélites, dançar nas suas asas.
E depois, regressar. Conhecer os mares, nadá-los, aprender os seus fundos. Perseguir peixes, ser engolida por uma baleia e adormecer no seu estômago. Descobrir grutas subterrâneas, desenterrar tesouros fabulosos. Ou simplesmente: respirar dentro de água.
Quero deitar-me na erva fofa de um campo verde e fechar os olhos, ouvir o sopro do vento acariciar as árvores; ser engolida pela escuridão, respirar devagarinho, saborear a paz; e sentir que o tempo vai parando: como se o mundo esperasse por mim. Percebes isto? Sentir que o mundo espera por mim. Sentir que sou tão importante para o mundo que ele espera por mim.
E depois, agradecer-lhe: devorando-o. Sei lá: subir árvores, andar de bicicleta, roubar nêsperas e atirar os caroços a quem calhar, colher flores, aprender a linguagem secreta dos gatos, fazer pão e comê-lo com manteiga, rasgar os livros de que não gosto, tocar violino no cimo de uma montanha, fazer aviões de papel e atirá-los do alto de um farol, colher caracóis nas bermas das estradas e depois libertá-los nos pomares, brincar com bonecas, abordar pessoas desconhecidas e adivinhar-lhes os nomes, caminhar pelos passeios e sorrir a quem passa.
Quero percorrer o mundo, cada centímetro do mundo, e apropriar-me dele, fazê-lo meu. Quero devorar vida, engolir felicidade; e depois, devolvê-la, através dos olhos, a quem amo, a quem um dia odiei. Quero beber a beleza do mundo e dos homens, embriagar-me de beleza, ser beleza. Destilar beleza. E depois, morrer: saciada. Deitar-me novamente na erva fofa do mesmo campo verde e fechar os olhos, ouvir o sopro do vento acariciar as árvores; ser engolida pela escuridão, respirar devagarinho, saborear a paz; e sentir que o tempo vai parando, parou: para sempre.

Quero tão pouco, afinal. Não achas?»



Paulo Kellerman


Dado a conhecer pela querida da ~If-I-Knew.

  • Mood: Neutral

Devious Comments

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:iconif-i-knew:
É dos textos mais bonitos que eu conheço!... E diz tudo. Diz, não diz, Su?

Ai. :faint:


:hug:

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no chão das palavras (e dos gestos), à procura do pó de estrelas.. :star-empty:
:iconsuuuuu:
Diz mesmo!

:hug: *

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Tontices e divagações. :boing:
:iconcurtition:
Eu também quero pouco.
Só quero um dia poder andar na net sem ler textos sempre a dizer a mesma coisa, com as mesmas palavras. =P

:kiss:

--
"In darkness there is death.
It was the first thing they had taught him and he never forgot it. He could move unobserved in daylight, too; in other ways. But the night was his special friend."

:diny: :ninja: :heart:

Check out my favourites! ;)
:iconolecr4m:
Gostei mt mt do texto Suzinha =) Bom gosto Mary =) tb so podia :P
Beijo nas duas =) *
:iconsuuuuu:
[*]

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Tontices e divagações. :boing:
:iconsuuuuu:
?

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Tontices e divagações. :boing:
:iconcurtition:
:rofl:

esquece. =P

:kiss:

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"In darkness there is death.
It was the first thing they had taught him and he never forgot it. He could move unobserved in daylight, too; in other ways. But the night was his special friend."

:diny: :ninja: :heart:

Check out my favourites! ;)

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